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Crônicas



Minha doença é Crônica!

Escrever...ah escrever! Martírio para tanta gente, prazer de alguns, profissão de poucos. Desde que meu avô me deu um lápis para coçar o ouvido, lá pelos idos de 1960, descobri que havia função mais nobre para tão importante instrumento. 

Comecei a rabiscar muito cedo, fui alfabetizado antes dos cinco anos. Aos dez, meu professor lia minhas redações para a turma, deixando-me mais corado que nariz de palhaço!  

O curioso é que na verdade sou um tímido. Sim, um tímido que faz palestras e que apresenta programas na televisão, mas, mesmo assim, um tímido. Dizem alguns discípulos de Freud que para vencer a dificuldade de encarar alguém na intimidade, as pessoas como eu, buscam refúgio nas multidões, que são anônimas, e desenvolvem a capacidade de falar em público. Pense bem, haverá algo mais constrangedor do que o silêncio entre duas pessoas? Já passou por isso? Aqueles momentos a sós com alguém, sem ter assunto, ouvindo os ruídos de um silêncio que pode ser cortado com faca? E o elevador? Por que ficamos olhando o teto, os números, apertando nervosamente o botão já tantas vezes apertado? Já passou por essa experiência desconcertante, certo? Pois então? Não é embaraçoso? Não incomoda?

Para nós, tímidos de determinado naipe que não sei qualificar, pois não tenho conhecimentos técnicos para tal, é muito mais fácil falar para a multidão anônima da sala de aula, do comício ou da sala de reuniões, do que encarar alguém na intimidade de uma mesa a dois, ou no elevador. Sem nenhum artifício capaz de disfarçar o tremendo constrangimento de se sentir desafiado, questionado pelo silêncio, invadido, só nos resta o vexame de permanecer em silêncio, tamborilando os dedos. Imagine então a delícia de escrever, pegar uma folha de papel em branco, ou, mais recentemente, uma página virgem de word, e sair despejando o que te vai pela alma, sem julgamentos, sem peias, sem censuras. Ah que delícia... ah que bela maneira de enganar a timidez! Não acredita? Pergunte ao Luiz Fernando Veríssimo se prefere escrever uma crônica ou dar uma entrevista?

Pois é, tudo isto para dizer que é contando causos, escrevendo crônicas, socializando meus pensamentos, minhas verdades e minhas dúvidas, que eu mais me realizo. Dependendo da inspiração, do sentimento que repentinamente me invade, sou capaz de sair da cama no meio da noite para delatar as palavras que me fizeram perder o sono! É uma espécie de vingança contra elas, por terem ousado quebrar a placidez do meu descanso, da minha noite enluarada (não moro mais em São Paulo capital)!

Só colocando-as no papel eu desabafo, eu as expurgo, eu recupero minha paz, fico mais parecido comigo mesmo, me encontro, relaxo, enfim, durmo! Olha eu aqui de novo despejando palavras aos borbotões, como se o texto psicografado fosse!

Bom, amigo leitor, antes que esta, que deveria ser uma breve introdução, se transforme em mais uma crônica, sugiro que dê um passeio pela minha mente através da leitura dos textos que se seguem. Vá despido de preconceitos, vá de coração aberto, não me julgue, apenas aceite o convite de navegar nas minhas idéias, nas minhas pequenas histórias. Não garanto grandes resultados, minhas pretensões literárias não vão além da satisfação de pequenas veleidades, mas no fim, mesmo que não goste de nada, pense que já tem argumentos para se contrapor a mim. Faça desses argumentos uma história, divulgue-a, publique-a, envie seu texto de encontro ao meu. No fundo, bem no fundo, há de convir comigo que o mundo seria bem melhor se todos lessem mais, escrevessem mais, pensassem mais, agissem mais! Minha arma são as palavras, ao escrever eu me livro delas, fico desarmado. Desarme-se também e aproveite a viagem.

 
 
 
 

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