Rui   Carvalho  { Vox Comunicação & Marketing}

DURA LEX, SED LEX!

by on mai.06, 2011, under ARTIGOS

Editorial escrito para o site em abril de 2011

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Tenho visto muita gente revoltada com a decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a aplicação da lei da Ficha Limpa (a que proíbe candidatos com pendências judiciais de participarem de eleições ou assumirem seus cargos). Justa indignação. Quem, conhecendo os políticos brasileiros, não se indignaria com tal decisão? Acontece que tribunal não existe para atender ao clamor popular, ou, sequer, para que se faça justiça. Não se surpreenda. Tribunal existe para fazer com que a lei se cumpra. Ponto final. Se a lei é justa ou injusta, isso é com o legislativo, que a redigiu e a aprovou e a quem cabe reformá-la, se for o caso. A função do STF é zelar para que as leis infraconstitucionais não firam a Carta Magna.

Pois foi exatamente o que ocorreu. A nossa constituição diz que nenhuma lei eleitoral pode vigorar antes de um ano depois de aprovada. Ou seja, por mais que a lei da Ficha Limpa seja necessária e justa, e é claro que é, ela não poderia ser aplicada nas eleições de 2010, pois foi aprovada em 2010! Simples assim, não se muda a regra do jogo no meio do segundo tempo.

O STF não julgou o mérito da lei, que está, sim, aprovada. Ele apenas julgou, e muito bem, que a lei feria um princípio constitucional, e, nesse caso, não é justo que nos voltemos contra uma corte que está ali para garantir que a Constituição seja respeitada. Mais importante que atender o clamor popular é garantir e preservar o Estado de Direito, pois só através dele chegaremos a uma sociedade civilizada.

Se assim não fosse, se os anseios populares, a voz das ruas, fosse soberana, nem precisaríamos de tribunais, bastaria que fizéssemos plebiscitos. Sem o Estado de Direito voltaríamos à barbárie da ditadura e da anarquia, por isso, por mais que seja injusto voltar a ver Jader Barbalho no Senado da República, na companhia de tantos outros políticos à margem da lei, é melhor isso do que pisar na constituição e ver a Suprema Corte do País igualar-se aos marginais. Parabéns ao Supremo.

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RECEITA DE FRANGO COM UÍSQUE

by on mai.06, 2011, under CRÔNICAS

           Não faça esta receita na frente das crianças! 

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Ingredientes:

  •  01 garrafa de uísque (do bom, claro)
  • 01 frango (ou melhor, franga!) de boa procedência com aproximadamente 2 Kg
  • Sal, pimenta, cheiro verde e nozes moídas a gosto
  • 350 ml de azeite extra virgem

 Modo de Preparo:

Regue o frango com meio copo americano de uísque e deixe descansar por cinco minutos numa assadeira. Aproveite e beba você um uísque sem gelo. Em seguida tempere o frango com o sal, pimenta e cheiro verde a gosto. Massageie o dito cujo com o azeite virgem até que fique completamente untado. Depois, envolva-o em papel alumínio e deixe descansar por 5 mais minutos. Aproveite e tome outro uísque só com uma pedrinha de gelo, para acalmar.

Pré aqueça o forno a 180 graus por 10 minutos. Sirva-se de outra boa dose de uísque caubói enquanto aguarda. Use as nozes como tira gosto. Seu, e não do frango! Se os pedacinhos das nozes incomodarem no meio dos dentes, não use fio dental, tome outro uísque, desta vez bochechando antes de engolir.

Coloque o frango numa assadeira grande, untada com manteiga de garrafa. Lave as mãos e sirva-se de mais duas doses de uísque, mas é melhor fazer isso sentado. Olhe para o painel do fogão, procure achar o botão do forno e axuste o terbostato na marca de 3, que fica entre o 4 e o 2. Se não achar, tome mais um gole do uísque que ela aparece fácil.

Depois de uns vinch binutos bote o galináceo para assassinar, digu: assar. Derrube mais uma dose de uísque (na sua goela, claro). Depois de meia hora, espreite bela abertura do vorno e gontrole a assadura da ave. Tente zentar na geladeira, servir-se de ouuuuuuutra dose sarada de uísque.

Cozer? Costurar? Cozinhar, sei lá, voda-se o vrango. Deixaaaaaá o vilho da buta do pato no vorno por umas 4 horas e termine o garaio da garrafa. Tente retirar a bosta do vrango do vorno sem guemar a mão, garaio! Mande mais uma boa dose de uísque para dentro, de você, claro. Tente tirar novamente o sacana do vrango do vorno, já que na primeira tentativa daaaaão deeeuuuuu.

Begue o vrango que caiu no garaio do jão e goloque-o numa pandeja ou qualquer outro borra, bois avinal você nem gossssta muuuiito desssaaa bosssstaaaa besmo, falou? Hic..hic…

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SER OU NÃO SER?

by on mai.06, 2011, under CRÔNICAS

Crônica de Rui Carvalho escrita em 2007

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Responda rápido: o que te incomoda mais? Ter dúvidas ou falta de certezas? É melhor morrer ou perder a vida? Você prefere decidir errado ou adiar a decisão indefinidamente? Magoar quem você gosta ou se magoar?

Pois é, nossa cabeça coloca-nos perante dilemas que nem sempre conseguimos avaliar com isenção. Talvez nem sejam dilemas, afinal. Mas ainda que disfarçadas de coisas simples são questões primordiais para nosso equilíbrio diário. A maneira como nosso caráter foi forjado, lá na infância, tem muito a revelar sobre nossos processos de decisão. Raciocínios tortuosos, enviesados, por vezes, disfarçam falhas de caráter ou desvios de personalidade quase imperceptíveis, mas eles estão lá, à espreita, apenas aguardando uma oportunidade para atazanar nossa vida. Nosso cérebro é mestre em criar armadilhas para nos confundir.

O problema é que estamos falando do nosso cérebro e não do cérebro de outra pessoa! Isso pode significar que nós mesmos armamos estratagemas para nos testar a toda a hora. O curioso é que raramente passamos nos testes, embora, freqüentemente, falsifiquemos os resultados para amenizar nossas dores de consciência. Vai entender!

Ainda assim há pessoas que teimam em se enganar, ou melhor, em tentar enganar seus cérebros, esquecendo o óbvio: o cérebro é que está no comando da gente e não a gente no comando dele! Daí resulta que de nada adianta refugiar-se na elasticidade da consciência para iludir o pensamento. Na verdade, com perdão da frase feita, ninguém é capaz de fugir de si mesmo. Muitas vezes tentamos, mas tudo que conseguimos é provocar mais dúvidas ou incertezas, avanços e retrocessos, no máximo, ziguezagues estonteantes. É mais ou menos como regime para emagrecer. No início todos parecem milagrosos, prometem maravilhas, mas, com o tempo, revelam-se inúteis, decepcionantes ilusões. Na maior parte das vezes, tudo que causam é o famigerado efeito sanfona, emagrecemos para logo em seguida recuperarmos todo peso que perdemos, num vai e vem que só inferniza nossa auto-estima! O problema maior é que, para manter as aparências (sem trocadilhos) começamos a comer escondidos, começamos a disfarçar. Isso pode funcionar para consumo externo, como jogo de cena, mas nosso cérebro não se ilude com isso. Continuamos a fugir de nós mesmos, a esconder-nos de nossos próprios julgamentos nos desvãos da consciência. Sem que a gente perceba começamos a flertar com o pior tipo de mentiroso, o que mente para si mesmo! É como consumir drogas pesadas, aumenta-se a dose a cada vez que se tem um problema. Logo depois, na ausência de problemas reais, a gente passa a inventar problemas para justificar o consumo da droga e o aumento da dose, num círculo vicioso macabro e impossível de romper sem ajuda.

Com aquele que mente para si mesmo, tentando iludir o cérebro, acontece algo similar. De tanto repetir a mentira para si mesmo, ela acaba virando verdade, acaba-se acreditando nela, mistura-se realidade com ficção, incorporam-se meias verdades como princípios de vida, trocamos os fatos pelas versões, as quais, de tão repetidas, viram fatos! A partir daí estruturamos nossas ações em bases falsas, e, claro, tomamos decisões equivocadas, ou pior, deixamos de tomá-las e ficamos paralisados, presos na teia que tecemos ao não encarar os problemas de frente, ao não sabermos lidar com nossas fraquezas!

Não sou psicólogo de formação, o que escrevo aqui é fruto de minha observação do dia a dia, é conhecimento empírico, mas desafio qualquer um que tenha vivido mais de trinta anos a me desmentir. Parece fácil, dito assim, o problema não parece exigir mais que um pouco de bom senso e alguma reflexão, mas não se iludam: romper esse círculo é tarefa das mais árduas, é coisa para profissional, pode demorar anos de terapia e, mesmo assim, não haverá garantia de resultado definitivo. O centro da questão é que quem mente para si mesmo acredita que está falando (ou pensando) a verdade! Desta forma convence-se que não está mentindo de fato! É um mentiroso involuntário, daí a alta periculosidade desse comportamento. As pessoas ao redor passam a ser apenas motivos para repetir as trapaças à exaustão. Nada mais importa a não ser manter, a qualquer custo, uma aura de coerência, dar razão à mentira vestindo-a com roupa de nossa verdade, de verdade relativa, como se os fatos aceitassem relatividade! Como dizia Lênin, “os fatos são teimosos”. E assim, transformando fatos em versões, justifica-se a mentira, fechando-se o círculo novamente. Para quem gosta de armadilhas está aí um prato cheio. Cheio de sofrimento, de altos e baixos, de comportamento errático, de idas e vindas, de dúvidas ou falta de certezas, de falso conformismo, de ser ou não ser!

Mas será que somente a terapia pode ajudar essas pessoas? Acho que não. Também baseado na experiência de vida, não tenho medo de afirmar que pessoas assim precisam sim de ajuda, mas ela pode vir de outro lado e ser de outra natureza. Essas pessoas precisam sentir-se em um ambiente onde possam ser elas mesmas, sem reservas, sem pudores, sem máscaras, sem meias verdades, sem falso moralismo, sem regras rígidas, sem cobranças hipócritas. Ambiente difícil de encontrar, reconheço. Essas pessoas precisam ser compreendidas e incentivadas a enfrentar seus medos, suas neuras, suas dúvidas, seus momentos de “ser ou não ser”! Elas precisam conseguir derrubar seus próprios mitos, romper com aquele mundo ardiloso e movediço em que decidiram (ou precisaram) entrar. Precisam deixar a zona de conforto proporcionada pelas mentiras travestidas de verdades relativas, e achar uma saída honrosa, que não as avilte ainda mais. E isso nunca se faz sozinho. Elas precisam ser amadas! Mas não pode ser um amor qualquer. Tem que ser um amor incondicional, maduro, libertário, altruísta como deveria ser todo o amor. Tem que ser um amor sincero, que lhes sirva de espelho, de modelo, que as inspire. Não pode ser um amor cobrado, que quer troco, que sufoca, que dá medo, que envolva perdas ou ganhos. É preciso encontrar um amor desprendido, amigo, de todas as horas, que eleve e não deprima, enfim, um amor especial, exagerado, superlativo e real.

Ufa! Está dado o recado. Quem souber de algum amor assim solto por aí, é só enviar as informações para meu e-mail, ok? Porém, antes que você pense que esse amor não existe de fato, que é impossível encontrá-lo, deixe-me repetir uma frase que gosto muito: “o difícil é o que pode ser conseguido agora, já. O impossível, bom, esse apenas demora um pouco mais!”! Você acredita?

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