Choros & Rimas

"Explore o Turismo, e não o Turista!"

SONY DSC
A liberdade do poema
é a essência do poeta…
Ser livre é prender-se à rima,
render-se ao choro…

Demorei muito antes de me aventurar na poesia. Sempre achei que isso era coisa para artistas e eu não sentia em mim essa vocação. Durante muitos anos minha comunicação com o mundo foi a prosa. Um dia, estava tão entristecido que comecei a rabiscar umas palavras no papel, mas não conseguia escrever nada que fizesse sentido. Foi aí que comecei a brincar com frases curtas, rimadas. Ao fim de alguns Capa Chorosminutos tinha escrito minha primeira poesia (IntensaIdade). Acabei descobrindo que, na verdade, a poesia nos dá mais liberdade, pois não há compromisso com um roteiro, com um texto com começo, meio e fim. A poesia é a liberdade do escritor, é poder criar o que quiser, da forma que quiser, sem preocupações com o sentido das coisas. É poder usar das “liberdades poéticas” para dizer o que nos vai na alma. Foi assim, expurgando os males da alma, que surgiu Choros & Rimas, meu primeiro (e por enquanto único) livro de poesia. Você pode adquirir o seu exemplar no link abaixo:

http://www.clubedeautores.com.br/book/142148–Choros__Rimas#.U9h9yPldVu4

 

Leia agora um dos poemas do livro:

 

IntensaIdade

(A crise dos quarenta)

Viver é sempre um intenso desafio,

Desafio mais intenso, é viver longe da terra,

Viver a selva da cidade, ouvir a solidão que berra,

Viver em paz, vir ver  a paz surgir da guerra,

Viver ao sul, viver ao norte,

No mar azul, moldar a sorte,

Viver a vida, negar a morte,

Vir ver  a vida nos dando sorte,

Fazer amigos, trabalhar a terra,

Evitar os perigos que o viver encerra,

Pretender dos fracos, ser o mais forte,

Estender os braços pra beijar a morte,

Escolher os passos, atravessar o rio,

Rio da vida, rio de tudo, em permanente desafio!

Desafio mais intenso é viver na ilusão,

De amansar a dor do frio

Com o bafo do verão,

Descuidar-se do caminho quando se conhece o chão!

É que as curvas desse rio confundem nossa visão,

Ora são porto seguro, fragmentos de razão,

Ora brilho em fundo escuro, mescla do sim com o não,

Um universo tão denso, lá no fundo o que eu procuro,

Se eu existo, logo penso? E se penso, e existo? E se não?

Por que o medo deste chão?

Que se estende à minha frente, que me pega pela mão,

Sem dizer onde me leva, sem pedir opinião,

Apressarei minha queda

Se mudar de direção?

Debochar deste meu medo

Pode ser a solução,

Para encontrar mais cedo

O caminho da razão,

Aos quarenta o nosso Credo,

Não passa de uma visão,

De um caminho indesviável,

Que termina em solidão,

Sensação inevitável,

Sentimento a que pertenço,

Que nos mostra que viver,

É um desafio imenso!

Aos quarenta, quarentão,

Que solidão, que saudade,

Por que temermos então,

Esta nossa intensa idade?

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.