ARTIGOS
VIRACOPOS, NÃO PODEMOS PERDER ESSE TREM
by Rui Carvalho on mai.05, 2011, under ARTIGOS
Tudo muda o tempo todo, diz a música de Nelson Motta e Lulu Santos. Pois eu também mudo, e muito! E ainda bem, pois mudar e adaptar-se é aprender a sobreviver e sinal de inteligência e humildade. Este artigo foi escrito em julho de 2007 para defender a necessidade e importância da construção de um trem de alta velocidade ligando Campinas a São Paulo e Rio, para viabilizar a ampliação do aeroporto de Viracopos. Hoje, ideías amadurecidas, já não tenho certeza se o projeto é viável, sequer necessário. Sei apenas que num Brasil com tantas carências de infra-estrutura, ele não deveria ser prioritário. Enfim, mudei, assumo meus erros e espero que você, leitor, possa julgar com a necessária indulgência, pois estamos apenas exercitando a saudável prática de discutir idéias. Boa leitura.
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Vira e mexe a utilização do aeroporto de Viracopos como alternativa ao congestionado tráfego aéreo de São Paulo surge como solução milagrosa. As entidades do segmento turístico da região, o chamado trade, já se reuniram algumas vezes para exercer o legítimo direito de pressionar os responsáveis por mais vôos e melhor utilização do aeroporto agora ampliado. Numa dessas tentativas, ainda em 2005, o então diretor de vendas da Varig, Marcelo Bottini, em reunião acontecida na moderníssima torre de Viracopos, alertou para o fato de ser necessário garantir passageiros em número suficiente para viabilizar a operação de novos vôos. Na oportunidade Bottini também reclamou dos altos custos operacionais e sugeriu que a administração do aeroporto procurasse ganhar competitividade, baixando custos de operação como taxas de pouso e decolagem e combustível. Isso, evidentemente, só seria possível promovendo a concorrência entre aeroportos, atitude impensável no atual modelo de gestão centralizado e sob o comando único da estatal Infraero.
Apesar de todo o ceticismo das empresas aéreas, atualmente voando em céu de brigadeiro e gerando lucros que lhes permitem resgatar certa arrogância do passado, é urgente que o trade novamente se una e prove que o interior do estado pode gerar tráfego próprio, capaz de viabilizar novas freqüências, de preferência em horários convenientes e com ligações diretas aos principais destinos. Sabemos que milhares de passageiros de todo o estado preferem embarcar em Viracopos a ter de enfrentar duas ou três centenas de quilômetros de estrada e o martírio das marginais de São Paulo. Entretanto, empresários competentes não tomam decisões baseados apenas em percepções ou meias verdades. É preciso que sejamos capazes de produzir números consistentes, de entregar pesquisas que provem, sem contestação, que novos vôos em Viracopos são comercialmente viáveis e, principalmente, sustentáveis no médio e longo prazo. Sem isso, tudo que nos resta é torcer pela continuação do caos em São Paulo, na esperança de alimentar nossas esperanças com a desgraça alheia, como vem acontecendo. Como todos sabem, no capitalismo não há almoço grátis. Se não há passageiros ou se o custo é alto, não há empresa aérea, com pressão ou sem pressão, que aceite arrastar seu trem de pouso em outras pistas que não sejam as da rentabilidade! Um olhar desapaixonado em torno da questão poderá mostrar que as operações com vôos diretos em Viracopos são lucrativas, ou não. Mas só com uma pesquisa confiável chamaremos a atenção do duopólio que pilota nossa aviação comercial, oferecendo-lhe novos e promissores horizontes.
Na outra ponta da questão ninguém duvida da importância e urgência de se desafogar o tráfego de Congonhas e Guarulhos. A recente tragédia com o airbus da TAM, com as centenas de cadáveres carbonizados que ele produziu, deveria ser suficientemente eloqüente. Parece claro que a melhor alternativa é a utilização de Viracopos, mas a conta, por mais óbvia que pareça, ainda não fecha. Primeiro, não podemos esquecer que o nosso aeroporto está dimensionado para receber 1,2 milhão de passageiros/ano. Como atualmente recebe cerca de 800.000, temos uma capacidade muito limitada de absorver o tráfego de Congonhas. É sempre bom lembrar que o aeroporto paulistano, projetado para receber 12 milhões de usuários, já está sendo obrigado a lidar com absurdos 18 milhões por ano! Mas não tenhamos ilusões: nenhuma reforma ou ampliação de Viracopos será capaz de convencer os usuários e as companhias aéreas a transferir, voluntariamente, suas operações para Campinas, se não cuidarmos antes da logística de transporte terrestre. Quero com isso dizer que, tão importante como pleitear junto às empresas e autoridades a transferência de vôos, é lutar pela viabilização do transporte rápido entre Viracopos e São Paulo, leia-se trem de alta velocidade (ou velocidade média, que seja!).
É preciso mostrar ao usuário e às aéreas que a armadilha representada pelas congestionadas marginais do Pinheiros e Tietê, pode ser evitada. É preciso provar que é possível fazer o percurso Viracopos/São Paulo em menos de uma hora, ou teremos que lutar eternamente com a rejeição de quem está habituado a embarcar no centro da cidade (Congonhas) por mais que o trânsito seja um inferno e os riscos evidentes, ou até em Guarulhos, aonde se chega, na pior das hipóteses, em pouco mais de 45 minutos! Mas apenas o trem não fecha a questão! É necessário que haja capilaridade na distribuição dos passageiros ao chegar à capital. O terminal do trem terá que estar conectado com um bom sistema de metrô, o que significa uma estação modal que integre todos os meios de transporte. Não é tarefa das mais simples, mas, se quisermos viabilizar Viracopos para daqui a dez ou quinze anos, é preciso começar já. Sem resolvermos esse gargalo, vamos continuar adiando o sonho de ter um aeroporto operando na sua plenitude, gerando empregos e renda para nossa região.
O atual caos aéreo, ironicamente, tem reacendido a esperança de ver Viracopos alçado à condição que merece. Um olhar mais atento, entretanto, vai constatar que estamos baseando nossas esperanças numa solução paliativa e provisória. Alguns vôos terão que vir para Campinas por força da saturação de Congonhas. Pode ser até que uma ou outra empresa, por questões subjetivas, transfira alguns de seus vôos para Viracopos em caráter permanente, porém, qualquer solução definitiva passa, obrigatoriamente, pela solução do impasse da ligação Viracopos/São Paulo/Guarulhos. Mas é bom que nos apressemos, antes que interesses políticos tão questionáveis quanto tortuosos defendam a necessidade de um novo aeroporto. Aí meus amigos, a alternativa é encomendarmos um projeto de museu aeronáutico, algo assim como um memorial do que poderíamos ter sido, mas não soubemos ser. Como dizia Peter Drucker, “a melhor maneira de prever o futuro, é construí-lo!” Que tal pôr mãos à obra antes que percamos o trem?
Rui Carvalho (rui@campinas-regiao.com.br)
Diretor Executivo do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau
JÁ TEMOS POLÍTICA DE TURISMO, FALTA TURISMO NA POLÍTICA!
by Rui Carvalho on mai.05, 2011, under ARTIGOS
Artigo escrito para o Portal ETUR em 16 de maio de 2004
Até pouco tempo atrás as políticas nacionais de turismo, quando existentes, tratavam o setor de forma quase marginal, como uma atividade periférica, um apêndice da política econômica. Era quase consenso encarar a atividade como lazer e entretenimento. Convention Bureau era um palavrão tão inominável que, fora do eixo Rio – São Paulo, dificilmente se saberia seu verdadeiro significado e abrangência!
Pois bem, pode-se concordar ou não com o Presidente Lula e seu governo, mas não há como negar que, no que diz respeito ao turismo, descontando-se algumas poucas derrapadas, as coisas mudaram muito, e, geralmente, para melhor.
Logo no início do novo governo ganhamos o tão esperado Ministério do Turismo, com estrutura, verba e estratégias inteiramente voltadas para a nova percepção da importância econômica e estratégica do turismo como insumo brasileiro com alto poder de atratividade. Como se não bastasse, o trade foi positivamente surpreendido pela transparência, simpatia e competência de um ministro que, quase desconhecido, chegava ao poder em forma de um grande ponto de interrogação! Em duas ou três aparições públicas, entretanto, Walfrido dos Mares Guia revelou-se não só um excelente interlocutor do mercado, como um hábil montador de equipes de consenso.
Nada mal para começar, mas a principal boa surpresa estava guardada para a Embratur. Com a nomeação de Eduardo Sanovicz, além de um ganho qualitativo, o setor também teve um sinal claro de que, o profissionalismo e a capacidade técnica, por fim, derrotariam a politicagem e o apradinhamento. Com a nomeação de quadros de reconhecida capacidade, e o que é mais importante, com a redefinição do papel da Embratur, tanto Mares Guia quanto Sanovicz enviaram um eloqüente recado ao trade:
está acabada a fase do amadorismo e do improviso, agora turismo é setor estratégico, ativo econômico fundamental e instrumento obrigatório na intenção do governo de gerar emprego e renda articulando essa fabulosa máquina que é o nosso setor.
É claro que nem tudo são flores e muito há por fazer, porém, e só para ficar num exemplo que conheço bem, a promoção do Brasil no exterior, através da participação da Embratur nas principais feiras internacionais e com a intermediação inédita da Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, resultou na diminuição do custo de participação em até 67%. A primeira conseqüência desse barateamento foi um aumento de 103% no número de expositores participantes do pool, e a possibilidade de estarmos presentes com estandes maiores em um número de eventos que representa quase o dobro do calendário do ano passado! Como se isso não bastasse, houve um salto qualitativo na escolha do calendário de feiras, permitindo a presença brasileira em eventos de produtos tão focados como golfe, mergulho, jóias e outros, sem abandono dos principais e mais tradicionais eventos do setor, onde passamos a mostrar a imensa diversidade cultural brasileira, a culinária, o folclore, o artesanato e as oportunidades de negócio que esperam quem nos visita.
Ainda há muito que melhorar, mas nem mesmo os críticos mais mordazes e corrosivos da nova postura oficial podem ignorar que algo está mudando para melhor! Se o bumbum da mulata ainda faz um sucesso danado como baluarte de nossa excelência turística, já não se pode dizer que ela seja a única bandeira que podemos carregar nessa encarniçada batalha pelos endinheirados turistas estrangeiros! Mudanças menos perceptíveis, porém não menos importantes, como a aposta nos mercados vizinhos da América Latina como potenciais emissores, dão conta de que a época da promoção elitizada que privilegiava o circuito Elizabeth Harden, já faz parte do passado. Agora, bem ao estilo que originou a fundação dos primeiros convention bureaux há mais de 100 anos, queremos turismo de resultados. Como gosta de dizer Eduardo Sanovicz, o cartão de crédito não tem nacionalidade! A fatura paga em pesos e bolívares tem tanta importância como a que é paga em dólares ou libras. Peruanos, Argentinos e Chilenos, também são consumidores como americanos e europeus. Se não gastam com a mesma volúpia, pelo menos têm a vantagem de ser, por sua proximidade, mais facilmente captados. A isto chamo pragmatismo, turismo de resultados! Ações concretas com efeitos mensuráveis e não apenas fogo de artifício para divertir os incautos que pagam as contas!
Já disse duas vezes neste texto que nem tudo está perfeito. É verdade. Um longo caminho precisa ser trilhado até que obtenhamos os resultados sugeridos nos planos oficiais, e é aí que eu acho que a política partidária tem o seu espaço. Somos hábeis em cobrar providências do setor público, mas extremamente tímidos e incompetentes ao escolher nossos representantes! Qual dos atuais deputados federais ou senadores foi eleito pelo trade? Qual deles veio diretamente do trade?
Por que sempre soubemos como fazer, temos a necessária expertise, conseguimos a massa crítica que fez deslanchar tão significativas mudanças, mas ainda somos incapazes de eleger representantes diretos de nossos interesses para o Congresso Nacional? Qual a razão de não conseguirmos articular-nos em torno de candidatos oriundos de nossos mercados? É miopia política, descrença na atividade partidária, opção pela pedra em detrimento do telhado ou simples incapacidade de organização? Não será egoísmo, vaidade e individualismo enraizado na burra percepção de que somos todos concorrentes num mercado de regras desiguais disputado por players com peso específico desproporcional?
Acredite caro leitor, minhas perguntas são sinceras, minhas dúvidas são legítimas. Quero apenas lançar o tema à guisa de provocação. Precisamos reinventar para nós o brainstorming (aqui no interior gostamos mais de “toró de parpite”) que recomendamos aos outros! Precisamos saber unir-nos como os que defendem a religião, a agricultura, os aposentados ou a pecuária, atuando em frentes parlamentares, em bancadas articuladas na defesa dos nossos interesses, que são os interesses de milhões de brasileiros que acordam diariamente para trabalhar em nossas empresas.
Para que possamos fazer isso, entretanto, é necessário chegar lá… Ter coragem de mostrar a cara, ter vontade de estar lá! Um bom começo seria que entidades como a nossa, a Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, as Abav’s, os Sindeturs, as Abih’s, a Fenactur, o Favecc, o Snea, a Abla, a Abeoc, a Abracef, a Ubrafe, a Ampro a Abrajet e tantas outras, se unissem na tentativa de lançar candidatos próprios com estratégias bem definidas e com bons planos debaixo do braço. Um vereador aqui, um deputado estadual ali, quem sabe um deputado federal ou senador acolá! Sei que não é fácil, tampouco será rápido, mas já seria um bom indício de que, não só o governo está mudando a sua visão do turismo, mas também o turismo está revendo a sua visão de governo! No mínimo, deixaríamos de andar com a cabeça enterrada feito avestruzes, ou olhando de esguelha e desconfiados uns dos outros, e passaríamos a olhar-nos cara a cara e a enfrentar os nossos colaboradores com a cabeça erguida e um brilho no olhar que significaria: eu tentei, eu não pergunto mais o que o meu país pode fazer por mim, mas vou dizer claramente o que quero fazer pelo meu país! Dizem que tenho o péssimo hábito de acreditar em sonhos, mas um dia, alguém bem melhor que eu, disse que “Quem pode sonhar, pode realizar”! E você, o que acha?
O FALSO DILEMA DA ROOM TAX
by Rui Carvalho on mai.05, 2011, under ARTIGOS
Artigo escrito para o Jornal Panrotas em 2008
O sucesso do modelo dos convention & visitors bureaux, entidades privadas sem fins lucrativos que buscam alavancar o desenvolvimento econômico e social através do incentivo à atividade turística, já está exaustivamente provado nos mais de 100 anos de sua história. No Brasil, essas instituições têm sido quase sempre portadoras de excelentes notícias e revelaram-se ferramenta fundamental no processo de repensar o turismo, despindo-o de sua aura de entretenimento e lazer, e conferindo-lhe status de força econômica estratégica. O problema é que parte do mercado, e principalmente daqueles que poderiam ser parceiros, desconhece a realidade dessas instituições.
Uma boa parte dos mais de 100 CVBx brasileiros ainda luta com a crônica falta de recursos para desenvolver suas atividades adequadamente. Apenas um punhado deles consegue participar de feiras e exposições, fazer viagens de captação com regularidade, ou, o que é pior, produzir materiais básicos de promoção do destino. A solução, equivocada a meu ver, tem sido recorrer às verbas públicas, tentando aqui e ali descolar um patrocínio ou estabelecer convênio com municípios, estados e federação. Não deveria ser assim. Por definição, os CVBx são entidades privadas e como tal deveriam ter independência do poder público. Mas então onde está o problema? Um bom lugar para procurar respostas pode ser o sistema de cobrança de Taxa de Turismo ou Room Tax Facultativo. Este método, através do qual o hóspede do hotel conveniado é convidado a contribuir com um valor simbólico acrescentado à diária, está universalmente consagrado e, em alguns lugares do mundo, o pagamento é obrigatório (daí a denominação room tax). Essa idéia surgiu no Canadá em abril de 1971 e correspondia a 5% do valor da diária. Como era obrigatória, essa taxa foi defendida pelo primeiro ministro canadense na época com o seguinte argumento: ”levamos em consideração que nossos turistas deveriam fazer uma pequena contribuição para nossas despesas feitas em seu favor”. Aos poucos a idéia foi sendo adotada em todas as principais cidades do mundo. Para que não digam que isso foi idéia de gringo e que não poderia dar certo por aqui, lembro que uma das conclusões do primeiro congresso da ABIH, em 1936, dizia que “era preciso criar uma taxa que subsidiasse a promoção turística no Brasil”. Setenta anos depois dessa observação ainda encontramos dificuldades para convencer alguns hoteleiros da necessidade de ajudar os CVBx a aumentar o fluxo de visitantes (hóspedes).
A situação, em alguns destinos é crítica. Cerca de 90% dos CVBx brasileiros têm na room tax facultativa a principal fonte de recursos. Em muitos casos, a room tax responde por mais de 90% da arrecadação. Imaginem o dia a dia de uma entidade que não tem controle sobre 90% de sua receita, pois ela vem de um sistema que não é obrigatório nem passível de fiscalização por parte da entidade! Para complicar, alguns CVBx têm enfrentado dificuldades com as autoridades locais que implicam com essa cobrança, alegando não estar clara a sua opcionalidade. Por sua vez, os hoteleiros queixam-se da dificuldade em “vender” a taxa aos seus hóspedes. Segundo eles, o nome “taxa de turismo” encontra resistências por aparentar tratar-se de uma taxa recolhida pelo poder público (sabidamente desacreditado) ou por que o hóspede não concorda em contribuir para o turismo local, uma vez que, se está a trabalho, alega não ser turista. O problema real, entretanto, tem duas causas fundamentais: a primeira é a dificuldade da maioria dos CVBx em treinar adequadamente seus parceiros dos hotéis, aliada à dificuldade de fazer com que os hoteleiros entendam a importância dos CVBx para o seu negócio. Ou seja, trata-se, antes de qualquer coisa, de fazer a lição de casa com mais esmero e persistência. A segunda causa é mais conceitual. Ela vem da constatação de que o brasileiro ainda não aceita bem a idéia do associativismo, ainda não lida bem com o princípio de ajudar a coletividade independentemente de tirar benefícios diretos desse ato ou não. É um erro lamentável. A equação, de tão simples, chega a ser constrangedora. É fácil comprovar que a totalidade dos recursos arrecadados pela room tax facultativa é aplicada na promoção do destino. Essa promoção possibilita aumentar o fluxo de visitantes. Com esse aumento de fluxo, mais de 50 setores são impactados: hotéis, táxis, comércio, indústria de bebidas, telefonia, gastronomia, enfim, uma cadeia produtiva que gira em torno da atividade turística, principalmente do turismo de negócios. Com esse aquecimento da atividade econômica local, geram-se empregos e distribui-se renda, principalmente nas camadas da população menos favorecidas, que constituem a mão de obra intensivamente usada pelo setor.
A pergunta é: quem pode ser contra isso no Brasil? Quem, conscientemente, se negaria a contribuir com um valor simbólico (que costuma variar de 0,50 a 3 reais por dia, dependendo da categoria do hotel) para ajudar a gerar empregos? Isso nos leva a outra questão igualmente importante: qual a razão de muitas grandes empresas nacionais e multinacionais, e até, pasmem, algumas grandes operadoras, se negarem a pagar essa contribuição? Será que não está na hora de refletir sobre o real impacto que esses recursos têm nas economias locais e, consequentemente, na geração de emprego e renda? Será que não chegou a hora de parar para avaliar a relação custo benefício dessa contribuição? Será que colocar o bem comum acima de interesses pessoais não é uma idéia atraente o suficiente em tempos de violência desconcertante onde impera a lei do cada um por si? Se o problema é o nome, vamos mudar o nome! O que não podemos é ficar como avestruzes, fingindo que não é conosco, enquanto um modelo de desenvolvimento turístico aprovado há mais de um século, ainda patina na falta de visão estratégica de boa parte de nossos empresários e executivos. Aqui fica o convite para a reflexão.