E se terceirizássemos as cidades? Parece estranho? Há muito venho pensando numa forma de melhorar a administração de nossas cidades. Vejo, com certa tristeza, que os brasileiros, influenciados pelo discurso falacioso da "esquerda", de que as privatizações do governo FHC deram prejuízos enormes ao país, ainda não se convenceram das verdadeiras vantagens de terceirizar e privatizar serviços sob concessão, prática muito utilizada nos países desenvolvidos (nos Estados Unidos até as prisões de segurança máxima são administradas por empresas privadas e funcionam muitíssimo bem!). O problema não está nas privatizações, que foram a decisão mais acertada para acabar com a ineficiência de alguns setores da economia, sucateados pela falta de investimento de um Estado falido e corrupto e pelo jogo político que os transformou em cabide de emprego e fonte de prejuízos para os cofres públicos (leia-se nós, pagadores de impostos). O dinheiro de todos os brasileiros servia para sustentar as mordomias de alguns milhares de privilegiados, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo! Não era. Enfim, se o processo de privatização foi mal conduzido, corrija-se o processo, mas não se pode mais pensar em devolver ao Estado, perdulário, ineficiente e corrupto, o poder de administrar empresas como a Vale, a Embraer, o sistema de Telefonia ou de distribuição de energia. Isso seria um retrocesso. Adequar a dose do remédio não é acabar com o tratamento ou matar o doente. Hoje essas empresas pagam bilhões de reais em impostos, dinheiro que é usado pela mesma "esquerda" que tanto critica as privatizações, para sustentar os programas sociais que lhes garante a vitória nas urnas. Bendita ironia, vai entender!
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Nesse sentido, e como adepto da privatização e concessão de serviços para a iniciativa privada, me ocorreu que uma saída inteligente para melhorar a vida das nossas cidades seria terceirizar sua administração. Sim. Licitar a administração das cidades para empresas gabaritadas e que apresentassem a melhor proposta dentro de parâmetros pré-aprovados pela população e com metas definidas. Seria mais ou menos assim: elegeríamos normalmente prefeitos e vereadores, mas estes teriam que lançar um edital que convocasse empresas ou organizações a apresentarem propostas para administrar as cidades. Essas propostas passariam pelo crivo popular, sendo aprovadas em eleições diretas depois de amplamente discutidas. O processo seria transparente e os vereadores, prefeitos e sociedade civil agiriam como fiscais, garantindo que o contrato de licitação fosse integralmente cumprido. Esse, evidentemente, teria que contemplar metas qualitativas e quantitativas, melhoria nos transportes, na educação, na segurança, enfim, seria um plano de trabalho a ser executado mediante uma remuneração, mas constantemente fiscalizado, auditado e supervisionado pelo prefeito, vereadores e sociedade. Com este modelo acabaríamos com o uso político da máquina pública. Prefeitos não seriam mais "obrigados" a empregar amigos e correligionário (coitados)! Ficariam livres das pressões dos partidos e longe das perniciosas coligações. Negociatas, acordos de gaveta e propinodutos para alimentar o caixa dois dos partidos não teriam mais sentido, bem como os exaustivos embates nas câmaras municipais, enfim, livres para fazer o que lhes compete: legislar. Desde que o contrato de licitação estivesse sendo cumprido a contento, não importunaríamos a classe política e ela não nos massacraria com mais impostos e peraltices diversas. Estaríamos livres do constrangimento de sustentar quem nos usurpa o direito a serviços de qualidade. Por outro lado nós, contribuintes, teríamos uma administração baseada em resultados, com metas definidas e com o compromisso de oferecer serviços de primeiro mundo. Tudo isso sob nossa tutela, dependente de nosso voto. Ora digam lá se não seria o mundo ideal? Afinal, não nos livraremos dos políticos tão cedo, pois essa raça resiste a qualquer praga, são quase indestrutíveis. Também não vejo como melhorar a safra com as atuais regras. Mudar as regras, por depender do voto deles, também me parece difícil, ou seja, estamos no mato sem cachorro!
Sei que é só um exercício de imaginação e o que pretendi foi desabafar com uma pitada de ironia, mas, pensando bem, a idéia não é de todo descabida, é? Ora digam lá o que pensam!
Um abraço e Feliz Natal (se puderem).
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Enquanto pensa no assunto, divirta-se e relaxe lendo as crônicas e os artigos aqui postados. Esses textos refletem muito do que penso, parte do que vivi, algo do que sou. Mas não se fie muito nisso, por vezes, quero mesmo é provocar, refletir, desabafar, chamar a atenção para uma frase que não é minha, mas que considero uma grande lição: "NÃO SÃO AS RESPOSTAS QUE MOVEM O MUNDO, SÃO AS PERGUNTAS."